O terrível dia…

Desde que engravidei, temia pela chegada desse dia…

 

Eu sabia que uma hora ou outra teria que passar por isso… Só não imaginei que fosse assim…

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Desde que o Cauã nasceu, tenho me dedicado integralmente a uma tarefa: SER MÃE!

Como alguns sabem, ele nasceu com uma má formação nas mãos, chamada sindactilia simples (o dedo anular e médio eram grudados), e precisaria passar por algumas cirurgias para fazer tal correção. Então por esse e outros motivos, decidi que me dedicaria integralmente a ele.

Não foi uma decisão fácil deixar de trabalhar, de estudar, de fazer coisas que eu amava, para me entregar a uma nova e desafiadora tarefa, mas estava disposta a tudo pelo bem estar do meu pequeno bebê, afinal, eu seria capaz de tudo por ele! (mães entenderão melhor do que estou falando…)

E esses quase três anos em que fiquei integralmente no meu papel de mãe/ dona de casa/ esposa, foram MUITO difíceis…

Tiveram dias em que eu achei que não aguentaria!

Já me tranquei no banheiro pra tirar um cochilo…

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Já amamentei escondido, por medo de incomodar ou de me olharem de “cara feia” em algum local publico… 

(E como me arrependo disso! Os incomodados é que deveriam se retirar)

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Já ouvi MUITOOOOOOOOOS palpites sobre como cria-lo, quando deveria parar de amamenta-lo, como vesti-lo, como ensina-lo … … …

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As pessoas simplesmente não sabem o limite de parar.

E dependendo do meu dia, as respostas eram bem variadas…

GENTE SEM NOÇÃO: -Não prefere amamentar em um lugar mais reservado?

Eu, mentalmente -Não! Se eu preferisse, já estava lá. E você? Não prefere cuidar da sua vida?

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Eu, verbalmente: Não obrigada, mas eu gostaria de um copo de água… amamentar dá uma sede menina!

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GENTE SEM NOÇÃO: -Nossa! Ele assiste muito desenho né?

Eu, mentalmente -Pois é querida! Já tentei coloca-lo pra assistir jornal nacional enquanto a casa se limpava sozinha, mas não funcionou…

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Eu, verbalmente : Ele tem os horários certos para assistir. Geralmente são enquanto eu limpo a casa Q.U.E.R.I.DA!

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GENTE SEM NOÇÃO: -Mas você é tão nova pra ser mãe!

Eu, mentalmente – E você é tão velha pra ficar se metendo na minha vida!

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Eu, verbalmente: – Estava nos meus planos ser mãe agora. Mas obrigada pelo “Nova”.

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GENTE SEM NOÇÃO: -Mãezinha, melhor cobrir ele, tá frio.

Eu, mentalmente – Mãezinha? REPETE O QUE VOCÊ FALOU!!! Se não calar a boca,eu te chuto até amanhã!

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Brincadeiras a parte, (ou não), esses anos em casa com o Cauã, me fizeram crescer muito como pessoa…

Mas hoje, dia 04 de Fevereiro, um novo ciclo se iniciou em nossas vida…

O terrível primeiro dia na escola chegou!

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Acordei com um nó na garganta, uma sensação estranha, um vazio…

Fui em silencio no carro até a escola, e chegando lá, apresentei a ele sua nova “segunda casa”…

Enquanto caminhávamos pelos corredores da escola, muitas coisas vieram em mente…

Como ele vai comer sem minha ajuda? E se ele precisar da cobertinha? Ou pedir algo que elas (professoras) não entendam???

Esse bebedouro está muito baixo! E se ele se molhar? Se afogar? Se machucar???

E enquanto caminhávamos para a sala dele, vimos crianças chorando, gritando, agarradas as suas mães… E eu já imaginava como seria a terrível despedida.

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Chegamos na sala dele, mostrei os amiguinhos e falei como seria divertido o primeiro dia dele na escola.

A “tia” chegou e chamou ele para entrar na sala… e ele foi pro colo dela…

Pode parecer exagero da minha parte, (eu sou meio dramática, vocês sabem…),mas naquele momento, era como se eu estivesse me despedindo do meu bebezinho. A partir daquele momento, o Cauã iria aprender a como viver independente e sem precisar dos meus cuidados…

Dei um beijo nele, disse que o amava e que daria tudo certo.

E ele entrou pra sala.

Meu coração nesse momento, estava DILACERADO, fiquei ao lado da porta esperando ouvir os gritos dele chamando por mim, o desespero ao me ver indo embora, o desalento pela minha partida, a aflição, agonia, cólera por ver sua mãe indo embo… perai!

Eu não estava ouvindo NADA!

Coloquei minha cabeça para dentro da sala para ver o que estava acontecendo…

E o que vi, me fez chorar…

MEU FILHO CRESCEU!

Ele estava sentado no chão, ao lado de outros meninos, brincando com um carrinho.

Disfarcei, fiz algumas recomendações para a professora, e fui embora.

Meu telefone tocou por duas vezes e imaginei ser alguém da escola, dizendo que o Cauã estava precisando de mim… mas não era.

Ele estava bem, e sem a mamãe!

Agora estou sentada em frente ao meu computador, fazendo algo que há três anos não faço…

Estou sendo a REBECA.

Não a Rebeca mãe, que é cuidadora, protetora, e defensora…Ou a Rebeca que passa o dia correndo, limpando e cozinhando… Não a Rebeca que troca fraldas, se veste de Jessye, ou canta Palavra Cantada…

Apesar do silencio, eu estranhamente sinto falta do caos e do barulho, e me pergunto, como é ser eu novamente?

Agora viveremos uma nova fase, voltarei a trabalhar, a estudar, a ser independente… E do outro lado, o Cauã vai aprender que ele é um ser com suas próprias necessidades.

Mas uma coisa é certa…

A maternidade, foi a melhor coisa que me aconteceu, e com certeza, abriria mão, passaria noites sem dormir, faria tudo outra vez, para ter em meus braços, meu, PRA SEMPRE, bebezinho…

 

 Para Cauã, aquele que faz tudo valer a pena!

 

 

 

Uma madrinha quase perfeita 

Preciso admitir: Algumas coisas não foram feitas pra mim, como por exemplo:

Andar de skate …


Me equilibrar sobre dois pedaços de madeira…

 

 Jogar futebol… 

Entre muuuuiiiitaaaas outras coisas, mas existe uma coisa em especial que definitivamente não foi feita pra mim: SER MADRINHA DE CASAMENTO.

  
Sente-se meu caro leitor, vou te explicar o por quê…

 
Dia: 30 de Junho de 2012.

Casamento: Karine e André

Conheci a Ká aos 14 anos, quando me mudei com meus pais para uma casa na rua onde ela morava.

Depois de algumas semanas morando lá, nos conhecemos e entre tapas e beijos, nascia ali uma grande amizade… 

 Anos se passaram e então veio a grande notícia : Fui convidada pela primeira vez para ser madrinha de casamento!

Minha tarefa era simples: Buscar a Karine no salão e levá-la para a igreja, certo?

Não. Errado! Se tratando de mim, isso não seria uma tarefa fácil…

O casamento estava marcado para ás 18h30, mas às 18h40 eu e meu marido ainda estávamos  deixando as meninas (A Sara e a Bruna, que passaram o dia se arrumando comigo),  no local onde seria o casamento e logo depois iríamos buscar a Karine no salão onde ela estava se arrumando. Se não fosse por um problema…

Eu havia esquecido de passar desodorante!

  Quando me lembrei estavámos a caminho do salão, então falei pro meu marido que PRECISAVA voltar em casa.

Ele, super pontual, ficou bravíssimo comigo, mas disse a ele que era questão de vida ou morte.

Imaginem que constrangedor seria na hora dos cumprimentos, ou durante o jantar, ou pior, na hora de levantar os braços para dançar… 

  
Bom, meu marido foi até nossa casa, passei meu desodorante e 40 e tantos minutos depois do combinado, pegamos a noiva! 

 O Casamento foi LINDO, chorei horrores, e ver minha amiga se casando foi um dos momentos mais lindo ( e cheiroso) da nossa amizade.  


Dia: 11 de Maio de 2013.

Casamento: Ana e Phillipe

A Ana é minha única amiga de infância. E falo isso sempre com um orgulho IMENSO.

 (Estamos com essas roupas bizarras por que estávamos fazendo uma peça bizarra).
Somos amigas há 22 anos, sem nenhuma briga e váriaaaaaaaaaas histórias ao longo da nossa amizade.

Ela é quase uma irmã pra mim e é claro que quando ela decidiu casar, me convidou para ser sua madrinha (aí dela se não me chamasse! Teríamos então nossa primeira briga! rsrs)

No dia do casamento dela, meu marido ía trabalhar, então já tínhamos planejado tudo. Eu iria me arrumar em casa e quando ele chegasse iríamos para o casamento.

Simples né? NÃO!

Ás 10h00 meu celular toca, era a noiva!

-Oi Ninha!

-Oi Fú! (Esse é o meu apelido de infância. Só ela, sua família e meu pai me chamam assim hoje em dia – graças a Deus!) 

-Estou indo me arrumar no salão!

-Que legal amiga ( eu estava fazendo as unhas, em casa).

-Vou passar o dia sozinha…

Conseguia imaginar a carinha dela no telefone… 

E ela continuou….

-Sozinha no dia do meu casamento…

  – Sem ninguém pra conversar…

  

-Completamente só…

 
– Abandona… 

Eu a interrompi : – Quer que eu vá com você? – Disse eu, com as unhas mal pintadas, cabelo sem escovar, coisas pra fazer…

-SIM! Em meia hora passo ai! – E desligou.

E nesse dia descobri algo que temos em comum… O NÃO CUMPRIMENTO DOS HORÁRIOS!

Ela passou na minha casa quase uma hora e meia depois do combinado, toda tranquila, como se tivesse a vida inteira pra se casar.

Chegamos no salão hiper, mega, master, super, ultra atrasadas, e ela, em toda sua cara de pau, foi ver se tinha um horário vago pra eu poder me arrumar por lá também.

Obviamente não tinha, mas acho que a dona do salão se compadeceu da minha carinha de: “E agora? O que vou fazer?” (Cara que aprendi pela convivência com a Ninha).

 
Ela então, acabou abrindo uma exceção e pediu para uma funcionária escovar meu cabelo.

Todos estavam com pressa, inclusive a menina que me “arrumou”… Cheguei a essa conclusão quando ela terminou de escovar meu cabelo… 

Faltando 2 horas pro casamento, meu marido me buscou no salão para me trocar (e dar um jeito naquela arapuca).

Quando cheguei em casa, parecia um furacão.

Fui tomar banho, terminar as unhas, escovar o cabelo (novamente), me maquiar, passar o vestido e … ME ATRASEI!

Chegamos no salão do casamento praticamente juntas e então o grande momento chegou.

Meu cabelo não estava como eu havia planejado, as unhas estavam completamente mal feitas e minha maquiagem estava péssima…

Mas quando olhei pra ela, toda a correria do meu dia valeu a pena.

Ela estava LINDA! 

E quando eu a abracei na hora dos cumprimentos, senti a sensação de “dever cumprido”, por que ela estava feliz e eu sabia que tinha contribuído para essa felicidade.

 
E aquele então, se tornou um dos meus dias preferidos,  o dia em que minha amiguinha de infância, se transformou numa linda mulher casada e feliz! 
Dia 11 de Abril de 2014.

Casamento: Jéssica e Felipe

Eu e a Jé nos conhecemos quando tínhamos 17 anos. Freqüentávamos a mesma igreja e desde que a vi, foi amor a primeira vista.

  
Ela é completamente diferente de mim, em quase tudo, acho que isso é o que torna a nossa amizade tão especial.

Eu sinceramente não esperava ser convidada para ser sua madrinha, e pra mim, foi uma grande surpresa e no fundo me trouxe um pouco de preocupação…

O Cauã estava com apenas 5 meses e eu até então, só o alimentava com leite exclusivo materno (Na linguagem mais popular: Ele só mamava no peito).

Meu maior medo era dele sentir fome durante a cerimônia , começar a chorar, eu ter que sair para amamentar, e acabar estragando todo o momento mágico do casamento.

Mas eu jamais recusaria o convite de uma amiga tão querida, então aceitei e fiquei torcendo pra que tudo desse certo.

E é claro que não deu!

  
Ela se casou em uma sexta feira, às 8 da noite,  então o dia foi MEGA corrido. Meu marido havia trabalhado e nós não fazíamos ideia de onde ficava o local do casamento, mas tínhamos o GPS, que nos levaria seguros e tranquilos até o…. NÃO! Nossa noite começou mesmo quando o bendito GPS resolveu nos deixar na mão!

Agora estávamos atrasados e PERDIDOS!

Chegamos ao local do casamento quase 30 minutos depois do horário combinado e pra nossa surpresa todos já estavam lá, inclusive a noiva!

Já cheguei me desculpando… 

-Foi mal pelo atraso. Foi mal! Já pode começar… 

  
 O Cauã entrou com a minha irmã e nós seguimos para a fila de padrinhos.

E quando chega na minha hora de entrar…

Eu toda sorridente, puxando conversa com todo mundo, não percebi o “pequeno acidente em minha roupa”…

  
Quando senti algo quente escorrendo pela minha barriga me dei conta: MEU LEITE ESTAVA VAZANDO!!!

 
Entrei em PÂNICO!

Falei para a responsável pela organização dos padrinhos que eu precisava urgentemente de um pano ou papel toalha, mas ela não ouviu absolutamente NADA do que eu falei e com um leve empurrãozinho que quase me derrubou disse: “Pode entrar! É a vez de vocês!”

  
E entramos no salão! Todos nos olhavam…

 
E na minha cabeça eu estava assim:

 
Quando na verdade ninguém havia percebido, já que meu vestido era escuro!

 A cerimônia foi super rápida e acabou não dando tempo do Cauã sentir fome (ufa!).

E quando tudo terminou, a única coisa que chamava a atenção de todos naquele lugar, era a alegria no sorriso da minha amiga.

  

Nunca tinha visto ela tão feliz, e apesar da roupa molhada e o cheiro de leite materno, aquele dia ficou marcado como um dos mais felizes da minha vida, por que vi alguém que amo tornando um sonho em realidade.

 

E quer saber? Acho que no fundo todas as trapalhadas e contratempos fizeram com que esses dias ficassem marcados para sempre na minha memória e coração, e no fundo, lá no fundinho, bem escondidinho, onde quase não dá pra ver, acho que sou uma boa madrinha…

E hoje, escrevendo esse post, sabe qual a minha memória preferida de todas elas?

A do dia 11 de novembro de 2011, quando o MEU grande dia chegou.

Onde não houve atrasos, meu cabelo, unhas e penteado estavam perfeitos, onde minha roupa estava cheirosa e seca e onde ELAS estavam ao meu lado, fazendo com que o dia do meu casamento fosse o mais lindo e perfeito de toda a minha vida…

  

A maldição de Clash of Clans 

Se você quer ver o Eduardo ignorando o universo a sua volta , basta dar uma coisa para ele:

 

Ele entra em estado stand-by e não consegue ouvir absolutamente NADA do que falamos com ele.

E a cena se repete em vários outros momentos…

 Enquanto assistimos filme…

Enquanto recebemos visitas em casa… 

Enquanto “conversa” com as pessoas…  

Enquanto ele usa o banheiro…

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E você achando que eu ia postar uma foto dele cagan… Esquece!

As vezes chega ser cômico!

Em casa temos uma lei: Ninguém pode usar o celular na mesa de jantar, durante as refeições é proibido o uso de celular.

Certo dia, Eduardo espertinho, fingiu estar em uma conversa muito importante no WhatsApp, e pegou o celular durante o jantar para “responder” a tal mensagem…

E ele fazia caras e bocas…

   

Ele estava tão compenetrado que não percebeu que em questão de um segundo, lá estava eu, em pé ao seu lado, olhando sutilmente em seu celular!

 

EDUÁÁÁRDO!  (Quando estou brava chamo ele assim…)

E ele me olha com aquela cara de : O QUE EU FIZ?

 

E na tela do celular, lá estava ele!

Me olhando, com aquela espada na mão e feliz em ver que meu marido estava quebrando as regras de casa só para estar com ele!

 

Fiquei POSSESSA!

Me levantei e não quis conversa!

 

 

Mais tarde, já deitados na cama (Eduardo com celular na mão…) 

DROGA! Estou escalado! – Gritou no meu ouvido.

Logo imaginei que ele estava escalado para trabalhar no fim de semana.

Escalado pra que Eduááárdo ? 

-Pra guerra dessa noite!

DESISTO!  

Dei um beijo de boa noite e me virei pro meu lado.

Mas temos outra lei em casa: “Não dormimos brigados”, então resolvi ser a “esposa sábia”.

Ainda de costas pra ele comecei a falar:

“Amor, eu sei que você gosta muito desse jogo, mas você está ficando viciado, não me dá mais atenção, não me ouve mais. Seja sincero, eu estou exagerando?”

Quando me virei, lá estava ele! 

EDUÁÁÁRDO!

-Verdade!

-Verdade o que?

-Aquilo!

-Eim?

-Sempre

-Eduardo! 😡

– Eu te amo!

Começou a rir e repetiu tudo o que eu havia falado.

Ele concordou que estava viciado no jogo, disse que me amava e que me daria toda atenção do mundo.

Desligou o celular!

  

  

 

Irmã do meio

Me lembro exatamente do momento em que tudo mudou na minha vida…



Minha irmã mais nova havia nascido, o que significava que eu não era mais a bebê angelical da família.



E passava a ser então: A IRMÃ DO MEIO ESQUECIDA.



Eu estava feliz com o nascimento dela, mas sabia que a partir daquele momento as coisas seriam diferentes.

Minha mãe me achava velha o suficiente para ajudar nas tarefas de casa



Mas nova demais para namorar



Vai entender…

Apesar das bizarrices que fazia com a Talita (hoje sei que fazia para chamar atenção dos meus pais e não por que queria matá-la), como deixar ela amarrada o dia todo na cadeira com um cachecol, ou fazer vento com a toalha quando ia tirar ela do banho, ou quando tomava todo o leite da mamadeira dela, ou quando… Melhor parar né? Está ficando feio pra mim…

Mas enfim, eu era apenas uma criança de 6 anos vendo seu reinado ir por água abaixo!



Quando então me diagnostiquei com S.F.M (Síndrome do filho do meio).

Os filhos do meio me entenderão…

Tenho milhões de motivos para te convencer que filho do meio sofre demais,  mas vou citar apenas três :

1. Talvez eu tivesse que tomar medidas desesperadas para chamar atenção…



2. Eu tinha uma leve necessidade de ser  notada pelos outros….





3. Sempre fui usada como “teste” pelas minhas irmãs…





Eu pedia a Deus para ser enfim notada



Foi quando então resolvi  ser eu mesma, sem exageros, sem chamar muito atenção, apenas a discreta Rebeca…







E quer saber?

Ser irmã do meio tinha seus benefícios!

Como por exemplo: é, por exemplo…. Hum… Não consigo me lembrar de nada no momento, mas sei que tinha algum benefício bem aqui, na ponta da língua.



Ah! Me lembrei de uma coisa, que na verdade faz com que tudo valha a pena…

Sei que tenho amigas verdadeiras pra confiar.

Uma para me dar conselhos, por ser mais velha que eu, ela sempre sabe a coisa certa a fazer. E outra pra me divertir, por ser mais nova que eu, está sempre disponível a fazer “maluquices” junto comigo.

E no final de tudo, me sinto realmente especial, não por ser a irmã do meio, mas por ser irmã da Sara e da Talita. Aquelas que me fazem ser eu. Especial!

  





Nosso primeiro encontro

“-Ele me chamou pra almoçar! Ele me chamou pra almoçar!!!”

Cheguei na minha mesa cantarolando para minha amiga…2015/01/img_4593-0.jpg

O nome dele: Eduardo Numa.

Ele era supervisor e dividia a mesa com a minha chefe.

Ele era o japonês mais lindo, engraçado e sorridente que eu já havia conhecido…
2015/01/img_4596-1.jpg Obs.: Na verdade ele era o único japonês que eu conhecia. Hehe

E pra minha surpresa ele estava gostando de mim! (Surpresa nada! Eu era irresistível!)
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Bom,  é claro que eu me fiz de difícil e não aceitei aos seus primeiros convites para sair. Mas o que havia de mal em almoçarmos juntos? Nada né? Então resolvi aceitar!
Era sexta-feira, e ele estava de folga, então iria até a empresa me buscar para almoçarmos juntos.
Minutos antes dele chegar eu dei um “tapa no visual”, afinal queria estar linda pra quando ele chegasse…
2015/01/img_4602.jpg Enfim, ele chegou! Coração a mil e borboletas no estômago.
Na verdade não sei se eram as “borboletas” ou era a fome, mas algo mexia no meu estômago…
Fiquei imaginado como seria romântico o nosso almoço, já que me considero uma pessoa “um pouco” desastrada…
2015/01/img_4585-1.jpg Quando ele me viu teve uma reação meio inusitada. Ele me olhou de cima a baixo e fez uma cara… Como posso explicar? … Ele estava com uma cara diferente…
2015/01/img_4605.jpg Mas não tinha motivos para ele me olhar assim!
Na verdade tinha….
Eu estava vestida TODA DE ROSA!
Ai você pensa: “Ué! O que há de mal nisso?”
2015/01/img_4590.jpg Mas na verdade eu estava mais para isso:

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Só faltava o nariz de palhaça!
Hoje eu sei o mico que ele pagou estando ao lado de uma pessoa vestindo uma blusa rosa, uma bermuda preta, uma meia fio 80 preta e um sapato de salto ROSA!
A pantera cor de ros… Quer dizer, eu, estava muito ansiosa e achei que aquela cara diferente que ele estava fazendo era por que estava emocionado em me ver. Vai saber! Cada um tem um jeito de expressar suas emoções! As vezes a maneira dele era fazendo caretas!
Eu estava apavorada com o fato de almoçarmos juntos. E se ele me levar em um restaurante muito chique?
E se eu comer salada e ficar com uma folha entre os dentes?
E se ele quiser rachar a conta?
Naquela época eu trabalhava pra pagar meu cartão de crédito e não tinha dinheiro nem pra tomar um café na esquina.
Então disse que estava sem fome e acabamos desistindo do almoço e fomos dar um passeio pelo parque que ficava a uns 10 minutos da empresa onde trabalhávamos.
Passeamos, conversamos, rimos, nos sentamos em um banquinho e… Ele me beijou!
2015/01/img_4587-0.jpg Ao som do meu estômago roncando.

E eu? Me apaixonei é claro!

Depois de dois meses noivamos, de dois anos casamos e depois de cinco anos juntos, continuo sentindo o coração a mil e borboletas no estômago quando eu o vejo!
Ás vezes as borboletas são fome, mas ai eu como e elas vão embora!
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Sandra, a doida.

Não me lembro ao certo quantos anos nós tínhamos, mas lembro perfeitamente dessa fase…

Minha mãe resolveu voltar a trabalhar depois de anos dedicados a criação das três filhas, e como ainda éramos muito novas (acho que eu tinha por volta dos seis ou sete anos), ela resolveu contratar uma babá.
O nome dela era Sandra, mas nós demos a ela um lindo e carinhoso apelido de: “Sandra Doida”.
Bom, a Sandra doida era uma boa babá, tirando a parte em que ela não sabia cuidar de crianças, não sabia cozinhar, nem limpar a casa e tinha um péssimo defeito… Onde ela colocava a mão, quebrava. Literalmente.

Um dia limpando a geladeira, ao abrir a porta ela simplesmente a quebrou na mão dela!
-MINHA MÃE VAI TE MATAR!
Gritamos ao ver a geladeira sem a porta!
Quando minha mãe chegou em casa e viu a geladeira sem a porta teve uma reação bem natural…

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Um dia minha mãe chegou em casa e a tv estava sem o vidro!
A Sandra foi limpar com suas mãos de fada e trincou a tela da televisão…
Se ela morasse mais um dia com a gente nossa casa ficaria assim:

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A Sandra doida era praticamente um furacão!
Mas minha mãe não podia demitir a Sandra, pois ela era a única pessoa que havia aceitado cuidar dos anjinhos Rebeca e Sara…

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E tinha um outro porém… Ela não tinha onde morar, então se minha mãe a demitisse, ela não teria para onde ir.
Então, minha mãe resolveu respirar fundo e relevar toda a louça mal lavada, eletrodomésticos quebrados, casa bagunçada e não demitir a Sandra. Mas deixou algo bem claro: Sandra! Estou de olho em você!

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Minha mãe havia conversado com ela de que se mais alguma coisa se acontecesse eles teriam que demiti-la , ou acabariam sem nada em casa…
E nós, as anjas, odiávamos a Sandra Doida, por que ela era tratada como filha pelos MEUS pais.
-Vamos sair pra jantar em família?
-Rebeca! Chama a Sandra!

-Vamos assistir a um filme?
-Sara! Chama a Sandra!

-Vamos ao shopping?
-Meninas, avisem a Sandra!

Odiávamos ter que levar a Sandra com a gente! Eles eram NOSSOS pais e de mais ninguém.
Então… Elaboramos um terrível plano contra ela!!!

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Estávamos brincando no quintal enquanto a Sandra lavava roupas.
Pegamos algumas panelas, colheres de pau e começamos a cantar:
“Deixa de ser essa pessoa acabada
Tão carrancuda e de cara virada
Deixa de ser alto-suficiente
Não vem comigo nessa caminhada…”
(Fizemos uma paródia de um HINO!)
A Sandra respirava fundo e nos ignorava…

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Mas nós éramos terríveis! Continuamos a cantar:
“A Sandra é uma doida
A Sandra é uma doida!!!”
E ela começou a se irritar…

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Estávamos quase conseguindo o que queríamos…
“A Sandra não é desse mundo,
Ela parece o Capirot …”
CHEGAAAAAAA!!!!!!!

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A Sandra me pegou pelo braço, me ergueu e começou a me sacudir chorando…
-Eu não aguento mais vocês!!! O que foi que eu fiz pra vocês me tratarem assim???
Ela parecia mesmo uma doida!

Quando minha mãe chegou em casa a noite corremos para contar o que havia acontecido!
Eu, com meus dotes artísticos contei toda a história para minha mãe, é claro que na minha versão.
Contei o que a Sandra Doida havia feito comigo. Na verdade eu aumentei só um pouquinho…
O que havia acontecido:

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O que eu disse para minha mãe que havia acontecido:

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É claro que minha mãe demitiu a Sandra na mesma hora, sem nem querer ouvir o que ela tinha a dizer.
Vencemos! Pensamos eu e a Sara!

Mas o tempo foi passando e percebemos a falta que a Sandra nos fazia…
Sentíamos falta do arroz queimado, das palavras erradas, e até mesmo da presença dela nos nossos passeios em família. Afinal ela era da família, e só percebemos isso depois que ela tinha ido embora.
Resolvemos contar a verdade para nossa mãe.
Contamos tudo o que fazíamos com a Sandra. Choramos e imploramos para que minha mãe a trouxesse de volta.

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Minha mãe a chamou para jantar em casa e disse que nós tínhamos algo para falar pra ela…
Quando ela chegou começamos a cantar uma música:
“Volta logo! Aqui sempre foi seu lugar…”

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Ela aceitou voltar sob algumas condições:
Teríamos que obedece-la, respeitá-la e parar de reclamar de sua comida.
Nós é claro, aceitamos suas condições….

Certo dia, fui colocar minha comida no prato e gritei:
-CREDO!!! O QUE É ISSO?
É comida pra animais????

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A Sandra apareceu na cozinha e disse:
-O que você disse Rebeca?
-Disse que acho que vou colocar mais!
-Foi mesmo o que imaginei ter ouvido,
disse a Sandra Doida!

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Rebeca careca

Estávamos a um dia da pré estréia do filme que meu marido (na época noivo) havia participado. Não preciso nem dizer o quanto eu estava entusiasmada e ansiosa para a viagem!
Na noite que antecedia nossa viagem para Paulinia, tive uma grande idéia (já deu pra perceber que minha cabeça é cheia de “grandes idéias” né?!)…
Vou pintar meu cabelo! Preciso estar bonita pra aparecer na TV!

Não dava tempo de marcar no salão de cabeleireiro então decidi que eu mesma pintaria. Corri até a farmácia para comprar minha tintura…
Chegando lá, haviam cerca de 5 caixas de tintas, todas empoeiradas e de marcas que eu nunca havia ouvido falar.
Escolhi uma cor entre as minhas várias 5 opções e fui para a casa me atrever a cabeleireira.
Chegando em casa, ao preparar a tintura percebi um cheiro estranho, mas ignorei e continuei a preparação.
Aproveitei que eu estava sozinha em casa e resolvi fazer tudo com muita calma…
Na embalagem dizia: deixar 30 min e enxaguar em seguida.
Passaram-se os 30 min e eu espertinha pensei:
“- Vou deixar mais um tempinho, pra cor ficar mais bonita…”
Fiquei cerca de 1 hora com a tintura no cabelo até resolver tirá-la.
Fui para o banheiro lavar o cabelo… Entrei em baixo d’água, molhei meus cabelos passei meu shampoo e na hora de tirar, ao olhar para o ralo…
METADE DO MEU CABELO ESTAVA LÁ!!!

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Eu fiquei DESESPERADA!

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Desliguei o chuveiro, já em pânico, me sequei, vesti a primeira roupa que vi na frente e liguei para todo mundo.
Literalmente…
Liguei para a Bru, pra minha tia, pra minha mãe, pro meu pai, pro meu noivo, só não liguei para você que está lendo agora porque:
1- não tinha o seu telefone.
2- meus créditos haviam acabado.

Sem crédito, sem ajuda e provavelmente sem meus cabelos!.
Então resolvi ir até a farmácia perguntar pra vendedora se havia algo que parasse a queda dos meus cabelos.

Quando cheguei na farmácia, percebi que a vendedora me olhava com uma cara um pouco estranha…

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Quando me dei conta eu estava com meu cabelo cheio de shampoo e resto de tinta!

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Ela me deu um tal de “desacelerador” e disse para eu passá-lo no cabelo e ele pararia o efeito da tintura.

Cheguei em casa e minha mãe estava muito brava comigo… Eu havia ligado desesperada para ela, e quando ela chegou em casa eu não estava e havia esquecido meu celular!
Bom, vocês já conhecem a minha mãe né? A mente (muito fértil) dela já estava achando que a Renata, a traficante estava de volta…
Expliquei toda a história para ela e voltei ao chuveiro pedindo a Deus para não ficar careca.

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Mas parecia que minhas orações não estavam sendo ouvidas… A cada passada de mão no meu cabelo era uma mecha que se desprendia da raiz!
Eu já estava até imaginado como eu ficaria ao final do banho…

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Chorando muito, ao sair do banho eu não estava careca, apesar de ter perdido MUITO cabelo.

Dessa vez aprendi a lição e nunca mais me atreveria a cabeleireira novamente, certo?
ERRADO!
Mas a próxima vítima não seria mais eu!

…CONTINUA…